domingo, 3 de setembro de 2006

E depois da tempestade

...Sempre vem a bonança. E estamos quase lá.
A Ju já está sendo medicada, e deve vir pra casa amanha ou depois. Estou muito aliviada, e se normalmente filho no hospital já é um stress a coisa pode ficar muito mais estressante, num país estranho, com cultura e língua diferentes. Sem família por perto, sem empregada em casa, ou as amigas e vizinhas solícitas que a gente costuma ter no Brasil, por isso os amigos sao valiosíssimos.
Por pior que seja existe um lado Pollyanna nessa história, e eu sou obrigada a confessar que mae de filho doente "se transforma" e talvez por isso a gente sempre inventava uma dorzinha de barriga aqui e acolá quando era criança.
Nao sei porque raios eu nunca tinha montado um quebra cabeças com a Ju, e nessa semana de hospital acho que montei mais de dez. Virou hobby e a gente já está planejando montar uns enormes e botar na moldura. Tive tempo,calma e principalmente ouvidos pra ela, coisa que às vezes na correria do dia a dia acaba passando batido. Ela teve uma mae exclusiva, coisa impraticável no dia-a-dia.
Por outro lado a diferença cultural "pesa" e faz diferença, nao consigo fazer uma avaliaçao de "pior" ou "melhor", só é diferente. As crianças nao ficam de pijama, e eu só fui entender isso no segundo dia, quando só a Ju passeava de pijama pelo corredor. A nao ser que a criança realmente nao tenha condiçoes de se levantar da cama, ela é incentivada a se levantar e a colocar roupa normal.
Nao é a minha língua mae entao eu tinha sempre que prestar o dobro da atençao ao que os médicos falavam, muitas palavras eu nao conheço em alemao, entao fica mais difícil ainda perguntar certas coisas.
Todas as janelas dos quartos abrem para um terraço ao ar livre com mesinhas,cadeiras e um playground. Com piso de grama e terra.
Nada comparado à minha experiencia asséptica de hospitas brasileiros.
Aqueles que estao se sentindo melhor saem pra brincar, com suas agulhinhas no braço sem problema algum.
Os que nao podem sair da cama, ficam com as portas abertas com a vista do terraço e às vezes saem mesmo em cadeiras de rodas, pra tomar sol.
Confesso que me dá uma certa afliçao ver as crianças com braços enfaixados, equipo de soro, subindo e descendo pelo escorregador, mas com certeza ajuda na recuperaçao.
O hospital conta com uma professora que auxilia às crianças em idade escolar para que elas nao se atrasem muito com a matéria, a Ju teve aula das matérias principais todos os dias em que se sentiu bem, durante uma hora.
Nós nao comemos carne de porco e se me lembro bem no Brasil também nao se serve carne de porco nos hospitais e muito menos pra crianças. Aqui voce tem que fazer um pedido ESPECIAL dizendo que nao QUER que seja servido carne de porco. E tem enfermeira que te olha meio de lado,porque fica parecendo "frescura".
Mas a grande maioria das enfermeiras sao pacientes e muito simpáticas, mas nao tem aquele "paparico" brasileiro. E elas sao pau pra toda obra, ainda servem elas mesmas as refeiçoes de cada um nos quartos, e cuidam de muitas crianças que os pais nao podem ficar o tempo todo.
No hospital infantil existe também uma educadora que durante algumas horas do dia está diponível pra tomar conta dos irmaos,principalmente na parte da tarde, que é quando as crianças nao tem escola, realidade de hoje em países de primeiro mundo, muita gente nao tem com quem deixar o outro ou outros filhos.
Outra curiosidade é que os médicos e enfermeiros só se dirigiam à mim e ao Alex só pra explicar a conduta da equipe médica e os exames que seriam feitos e os resultados, o resto do tempo, se dirigiam à ela, como se nós nem estivéssemos ali. É óbvio que o sistema de saúde alemao tem falhas, nao existe perfeiçao e já começa com os próprios médicos que nao tem o costume de pedir exames.
É como se a gente tivesse que de alguma maneira convence-los o tempo todo de que pode ser que a coisa seja séria. Ou será que a gente faz exames demais no Brasil? Nao sei, mas sei que me incomoda. Vai lá tira um sangue, faz um exame de urina, poxa vida ;exame de fezes entao é só em caso de vida ou morte.
Por outro lado, praticamente todos os hospitais sao super bem equipados, os aparelhos sao excelentes.
Meu preconceio de ter que dividir quarto, agora é quase inexistente, a Ju teve uma boa acompanhante e as duas se fazem compania, nós maes podemos matar o tempo e a ansiedade juntas e se ajudar também porque nao?!? Quartos individuais, só em planos de saúde particulares,que só uma parcela muito pequena da populaçao tem ,e se no final das contas o hospital é o mesmo,nao sei o quanto isso vale mesmo a pena.
Os doutores da Alegria passam por aqui também e apesar de alemaes eles conseguem ser muito engraçados.
E eu sinto muito em ter que dizer isso, mas dá um alívio imenso saber que a aqui se pode ter acesso à uma medicina de ponta sem ter que se preocupar se o plano de saúde está em dia ou se cobre o hospital X ou Y.

6 comentários:

Ingrid Littmann disse...

Fico super feliz por vocês, e que esse coração já está calmo.

ps.mandei uma bola pra você atraves do meu blog, sinto uma imensa vontade de ti conhecer.

Beijão.
ps e fiquem com D'us

Carina disse...

Que notícia boa, Carla!!
Um beijo enorme em vcs 2!!!

Dorothy* disse...

Oi Carla & Ju,
Ainda bem que já está tudo certo.
Bjs e uma linda semana pra vocês.

VALERIA MARTIN disse...

Que bom que a Ju melhorou,uma linda semana pra vocês!!!!!

Marcia disse...

Bom saber que ela já está melhor.

bjs pra vocês duas :)

Carla disse...

Meninas,obrigada à todas voces pela força viu?

Milhoes de beijos,