quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Divórcio


Conversando com amigos nas últimas semanas, confirmei o que ue já tinha quase certeza, somos quase todos filhos de pais separados.
É um assunto um pouco polemico esse, mas é uma boa oportunidade de discutir.
Acredito que que nós que estamos na faixa dos 30 aos 40 anos somos a primeira geraçao de filhos de pais separados. Óbvio que as pessoas já se separavam,ou desquitavam muito antes disso, mas na geraçao dos nossos pais, foi onde se viu as separaçoes e divórcios com mais frequencia, e a partir daí o assunto começou a ser visto e tratado de forma mais natural.
Cada pessoa tem a sua própria experiencia, seus próprios dilemas, seus próprios traumas, por isso acho complicado generalizar o assunto, mas com certeza cada filho de pais separados leva consigo marcas dessa experiencia.
Quando os meus pais se separaram em 1983, eu passei entao a ter um status que poucas crianças tinham. Filha de pais divorciados. Morria de vergonha de ir à escola nos primeiros meses, repeti o ano escolar no ano seguinte, e me sentia de uma certa maneira diminuída perante aos coleguinhas que tinham pai e mae em casa. É como se as outras famílias soubessem lidar com problemas que a minha família nao sabia. No meu caso foi ainda mais complicado pois eu sou filha do "terceiro" casamento do meu pai. Típica família Patchwork que hoje em dia é absolutamente comum,mas na minha época eu tinha sempre que me explicar e reexplicar que os meus irmaos eram meus irmaos e pronto, enquanto todo mundo insistia me dizer: Irmaos por parte de pai. Que me importava isso? Pra mim eram meus irmaos, nada mais!!
Nao acho de forma alguma que os casais tenham que se violentar e permancer casados quando o relacionamento já nao tem mais jeito,quando nao há mais respeito ou quando nao existe mais amor, nem arrastar um relacionamento em prol das crianças.
Mas nao se deve ignorar que a criança envolvida precisa sim de muita atençao e muito apoio, e nao é só porque a coisa se tornou mais"banal" nos dias de hoje que a criança nao vai sofrer.
Ás vezes até parece que nao ficou nada, mas conversando com amigos hoje todos com mais de trinta anos, ve-se que a coisa nao é bem assim.
Muitos de nós projetamos entao um futuro muitas vezes baseado na nossa própria experiencia de filhos de pais separados.
Muitos nao querem ter filhos com medo de faze-los sofrer mais tarde,ou pra nao ter nem que carregar uma culpa eterna caso o relacionamento nao de certo.
Outros arrastam um casamento há muito terminado, para que os filhos nao "passem pelo que eu passei".
Outros estao eternamente à esperar pelo príncipe , para poder fazer parte do reino encantado, e há aqueles que nao querem nem ouvir falar em casamento ou relacionamento duradouro.
E tem gente que como eu queria uma família perfeita. Nao precisa ser muito esperto pra se dar conta de que isso nao existe, mas eu cresci com essa idéia, de que EU ia fazer diferente, de que eu ia ter a família Doriana.
Lógico que a minha vida está mais para um livro:
-Como administrar caos e confusao em muitas liçoes.
Eu também nunca quis me casar com alguém que tivesse pais separados, imaginava meus filhos explicando aquela confusao de famílias, irmao do meu irmao,mas que nao é meu irmao, primos do meu irmaos mas nao meus. Já bastava eu que tive que fazer isso a vida toda e meus filhos já teriam que fazer isso, pela minha parte.
Claro que isso tudo é muito particular, histórias de cada um que para outros pode parecer bobagem.


Quase dispensável dizer que na classe dos meus filhos, dominam os pais divorciados, e hoje eles sao praticamente exceçao por terem pais vivendo juntos.
O que eu vejo hoje em dia é que se por um lado as pessoas já nao toleram ficar presas à um relacionamento que já nao dá certo, por outro lado existe também baixa tolerancia em aceitar e entender o outro, tenho a impressao que nao se pensa mais duas vezes antes de se separar, nao deu certo, vamos partir pra outra.
E esse partir pra outra pode ser também muitas, muitas outras vezes, é um casa-separa sem fim, muitas vezes deixando filhos, e aumentando-se cada vez mais o patchwork.
Como serao essas crianças daqui há 20 anos? O que será que elas vao pensar? Que tipo de família vao querer cosntituir? Será que vao querer constituir uma família?
Sim acredito que todos tem o direito de buscar a felicidade, apesar de que eu também acho que ela é meio que instantanea e momentanea em sempre o que te faz feliz agora vai te deixar feliz a semana que vem ou o mes que vem.
Nada de manter aparencias, se sacrificar por terceiros e nada de dogmas religiosos.
Nao deu? Que pena, vamos partir pra outra.
Mas será que as pessoas estao mesmo pensando duas vezes hoje em dia? Ou estamos todos menos tolerantes?
Será que as pessoas ainda casam acreditando que é para sempre?
Temos alguns números interessantes em se tratando de Brasil:

-Em cada 10.000 pessoas, 7 se divorciam

Em relação aos divórcios, no Brasil, a taxa média era de 0,7 para cada 1000 habitantes, em 2002. Com exceção do Mato Grosso (0,7), as médias nas unidades da federação da região Centro-Oeste foram superiores à do Brasil. O destaque foi Distrito Federal, cuja média de 1,7 para cada 1000 habitantes foi a maior do País.

-De 1991 a 2002, cresce o número de separações e divórcios

Em relação às dissoluções de casamento, entre 1991 e 2002, houve aumento de 23.470 (30,7%) no número de separações e de 45.375 (55,9%) no de divórcios. Este resultado é reflexo, em parte, do ingresso da mulher no mercado de trabalho, garantindo maior independência do cônjuge masculino.

-No Brasil, casamentos duram, em média, 10,5 anos; no Acre, apenas 9 anos

Os dados de 2002 mostraram que, no Brasil, a duração média dos casamentos até a data da separação judicial é de 10,5 anos. No Acre, a duração é ainda menor (9 anos). Já em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a média é de 11,6 anos, superior à nacional. (Tabela 7.7 e Gráfico 7.5)

O IBGE também comprova que em 10 anos houve aumento de 55% no número de divórcios é bastante nao?

Gosto muito dessa música da Pink e do clip com a visao do divórcio sob a ótica infantil.
Sugestao da Carina.

pink family portrait

3 comentários:

Carina disse...

Sempre me arrepio quando vejo este clipe e ouço esta música.
Sou uma participante desta geração que a Carla citou e mesmo tendo tido amor, carinho e compreensão, tive de fazer terapia anos depois pra entender tudo que se passou naquela época. Também fico me perguntando se queria passar por isto de novo e acho que não.
Meus pais passaram anos sem se falar e hoje são amigos de novo, e mesmo sendo água e vinho me pergunto como teria sido se tivessem ficado juntos.
Minha mãe, que tomou a iniciativa de separar porque se apaixonou pelo meu padrasto, também já se fez esta mesma pergunta e conversamos algumas vezes a respeito, porque ela me disse que ela foi bem feliz com meu padrasto (se separaram e hoje eles namoram) mas que os problemas apareceram também e as crises idem e ela me disse: Será que se eu tivesse tentado mais as coisas não seriam diferentes hoje?
Esta é a questão!
Até onde se tenta? Até onde vale a pena se resgatar o que se acha que está perdido??
É complicado dizer, mas eu sei que mesmo eu que me julgava ter saído inteira da separação deles balanço ao ouvir esta música, sinal que tem coisas que jamais terão solução e respostas...

Manoel disse...

Acho que realmente se não existe mais amor, cumplicidade o melhor é cair fora, mas penso que temos que aprender a ceder um pouco mais, ter paciência e acima de tudo respeito, e hj em dia tá díficil, brigou ,pronto cada um para o seu lado...bom, é isso....fui

doro disse...

O casamento longo é aquele que sobrevive às diferentes crises; é aquele que as "partes" investem sempre para ficar no casamento, querendo ter um bom casamento.
Vou deixar uma pergunta:
O que é casamento????
Quanto aos filhos de pais descasados, é mesmo difícil. Mas existem coisas na vida que só aprendemos passando por elas, na pele. Portanto, fazia parte do "curso" que vcs vieram fazer no planeta,ok?
bjs.